Não é novidade pra ninguém: no mundo da música, as novidades (nem sempre palatáveis...) vêm e vão numa velocidade que às vezes a gente nem note. Quem mexe com isso já se acostumou a essas idas e vindas, às modas que desaparecem mais rápidos que o salário da gente.
O Brasil, como todos sabem, é pródigo nesse fenômeno natural. A cada verão, surge uma nova "tendência" que será esquecida meses depois - alguém aí lembra a febre que teve a dois anos atrás? Só lá fora que sobrevive, com plena saúde, outra moda que diz respeito a todos nós, que vivemos o mundo do rock suas vertentes: o nu metal (esse "nu" de "new", não de "pelado"...), chamado também por alguns de alterna metal.
A fórmula é simplíssima: junte um riff básico de guitarra afinada um tom mais baixo que o usual (cordas frouxas) e timbrada como costumam fazer as melhores bandas de heavy metal, um cozinha pesadona e "reta" (ou seja, sem firulas) e um vocal rap (sem melodia nenhuma). Pronto! agora é só chamar a perícia, porque o crime já foi cometido.
Muitos pregam que o início de tudo se deu com o Faith No More, que trouxe algo novo para o mundo do rock, lá pêlos meados dos anos 80. Só que a banda do lunático Mike Patton atacava numa linha totalmente diferente, já que os elementos de música negra que incluía em seu som eram totalmente baseados no funk. Claro, Patton arriscava vocalizações "rapeadas" aqui e ali, mas a música do Faith No More era muito mais que isso.
Um marco na fusão do rock pesado com hip hop (mais ainda longe do alterna) aconteceu com a regravação de Walk This Way por Aerosmith e Run-Dmc - e acabou, ainda, gerando um clip hilário.
Porém, o que vemos hoje em dia pouco tem a ver com isso. A merda começou na Califórnia, bandas como Manhole, Snot, Deftones, Coal Chamber, Korn e Limp Bizkit. São bandas e mais bandas na qualidade duvidosa que descobriram a fórmula mais simples de atingir a fama. Porque, convenhamos, nada mais fácil que copiar e fazer algumas alternações num riff que não tenho sido composto por gente como Tony Iommi, Ritchie Blackmore ou Jimmy Page, e ainda por cima disso trilhar o caminho mais preguiçoso: bateria e baixo sem variações rítmicas e vocal que nem precisa ser feito por um vocalista. É só deitar falação, se possível colocando o maior número de palavrões possíveis. Pega bem, também, dizer que o cara que escreveu a letra tave uma infância complicada, que é revoltado com o mundo etc. - como se isso funcionasse como uma espécie de aval para o elenco das baixarias.
Ou seja, desse emaranhado todo, acaba saindo uma música fraca, repetitiva e artisticamente ruim - além de exalar um forte ranço de oportunismo. O maior exemplo disso é a enorme quantidade de bandas que surgem diariamente com o firme propósito de se darem bem atuando nesse gênero - lembra, com com riqueza de detalhes no inicio do texto sobre os "cantores" que aparecem do nada e tentando convencer os incautos de que são artistas e já vinham ha tempos na batalha e que agora só querem seu tão almejado lugar ao sol. Sei...
Porém, o episódio que mostra claramente com quem estamos lidando aconteceu na cerimônia de entrega do Grammy realizada no ano passado. O vocalista do Korn, Jonathan Davis, recusou-se a participar da entrega do determinado prêmio pelo simples fato de que iria faze-lo junto com... Bruce Dickinson!!! O mané alegou que não queria ver sua imagem associada ao heavy metal e desdenhou de uma oportunidade que deixaria qualquer músico honrado.
Porém, esse foi episódio até que benéfico, já que deixou tudo bem às claras. O sujeito não mostrou apenas falta de educação, mas muito mais, já que está, cuspindo no prato que comeu/come. Seria o caso então, de, a partir dessa declaração, a sua banda deixar de lado todas as (muitas e mal usadas) referências ao rock pesado para que ele veja o que vai aconteceu com sua música e seus fãs - aliás, nem é preciso ser muito esperto para concluir que ambos tenderiam a desaparecer. Ou seja, o tal do alterna metal consegue juntar aquilo de mais precioso que pode existir no mundo do rock: música ruim com arrogância.
Do resto, que fique bem claro que renegar suas origens é bem mais que falta de talento - é falta de caráter mesmo!!!